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Mistério da Morte

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A dor da perda é uma fome virada para dentro. A dor torna-nos autofágicos. Consumimos as nossas memórias, as conversas que tiveram connosco, a desorientação que se abate na nossa ideia de nós próprios e da nossa vida sem... A dor consome-nos oxigénio dos nossos pulmões em esforço por respirarem por dois (por quem fica e porque foi). A impotência abraça-nos num pânico baixinho que cala a vontade de revolta ao mesmo tempo que amamenta a frustração. Somos feitos da carne que comemos quando estamos em sofrimento. Na universo dos esoterismos, em especial no ocidente, fala-se muito em mistérios e conhecimento pautados por ciclos de renascimento. O Homem que acorda novo. A Mulher que acorda renovada. Estes estados de consciência alcançam-se muitas vezes da sequência sinuosa de aprendizagens das quais resulta uma morte (simbólica no físico, literal no espiritual) que levará o neófito/aprendiz/não iniciado a experimentar uma realidade nova, na qual ele vive e reclama esse recomeço voluntário …

Halloween com uma criança: primeiro acto.

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Halloween e um andarilho de criança. É ela. Ela é que andarilha. Por todo o lado da casa! Desafios quotidianos: objectos de risco ao alcance das mãozinhas, caudas incautas de gatos distraídos puxadas sem dó, prateleiras rasteirinhas com objectos que se desfazem em cacos (descacam, portanto) quando em contacto abrupto com o chão, tecidos pendentes de superfícies várias que convidam ao puxão e ribombantes consequências gravitacionais...que se poderão descacar. Desafios acrescidos nesta altura da Roda do Ano: Halloween + enfeites + decor temático + andarilha =...muita reflexão e pesquisa interior relativamente ao sentido da nossa vida no geral e do universo no particular. Vou ser honesta, sou francamente fanzoca do universo halloweenesco. Para lá de fanzoca. Bruxas andrajosas, caldeirões borbulhantes, esqueletos dançantes, caveiras cavernosas, ossinhos e ossadas, aranhas trôpegas várias, morcegos orelhudos, chapéus bicudos, olhos suspeitos, dedos soltos, vampiros dentados, abóboras sini…

As expectativas de uma boa bruxa.

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Insanas. Podia ficar-me por aqui, mas vou desenvolver. Ter uma vida mágica plena, fluindo com o universo, recebendo bênçãos pelo seu bom trabalho. Observar os festivais religiosamente, comungar com a natureza, encontrar pedras com formato de coração e publicar CADA UM DESTES MOMENTOS numa rede social. Podia substituir bruxa por pagã, e as expectativas eram  as mesmas até porque há muito boa gente que acha que toda a pagã é bruxa...e não tem de ser, pessoal. Juro. Mas voltemos às bruxas. Saber sempre a erva certa, o cristal certo, a essência certa. Saber fazer os seus próprios incensos, velas aromáticas e caldos knorr. Ter sempre a sabedoria ancestral na ponta da língua. E saber aquele feitiço. Saber ver a aura e a Aurea. Saber as vidas passadas que teve e a saber que as hão-de vir. Fazer oráculos. Vários. Mas pelo menos tarot. Tarot é importante (sou só eu a achar esquisito que ao contrário se leia tora[t]? Mais ninguém?). Ler borras de café também conta, mas só se for em cafeteira d…

Hoje e Sempre, Azeez*

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A pausa das férias aproxima-se do fim, e com ela, ciclos que se fecham e renovam. Tenho reflectivo muito sobre a dinâmica das comunidades online e do seu impacto na nossa construção pessoal, religiosa e espiritual. O que aprendo, o que dou, no que participo, o que represento. Nada disto é uma soma ingénua. Somos o que escolhemos ser e online essa disposição é elevada à potência. Ontem, esta reflexão foi conduzida para um quarto mais escuro. O do luto. Estou presente em grupos no Facebook relativos ao Paganismo, sejam lusófonos (como o Paganices) ou o anglófonos (como o Temple of Sumer) e a língua franca, sendo assumidamente o inglês, muitas vezes permite-nos uma partilha mais abrangente. Por causa desta ponte maravilhosa entre a internet e as pessoas, tenho o privilégio de conhecer pessoas de todo o mundo e enriquecer-me profundamente com as trocas de ideias que realizamos. Em 2018 conheci um iraquiano simpático que partilhava comigo o interesse na Religião Suméria e no Paganismo, ma…

Este Verão de 2019

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Carta deste Solstício de Verão à minha Filha:

Meu amor bom, este Solstício foi passado a correr. Ainda mais tendo sido dia de vacinas para ti. Mas, ainda que tenham sido picadas meio à traição, os beijinhos, colo e mama sempre consolaram esse beicinho. O Sol chegou ao seu apogeu e tu, ao teu ritmo maravilhoso, tornas-te cada dia mais tua, mais menina, mais senhora do teu nariz. Nesta estação, eu e o Papá queremos dar-te a experiência da praia, da areia e do mar, do cheiro da sardinha, do vento na serra e no moinho, do bailarico, do pão e dos pés (teus) em todo o lado! Agora que o poder do sol reina, a natureza caminha para as colheitas e nós tencionamos colher da nossa família cada polaroid e palhaçada disponível. A gataria já está em modo veraneio e a busca pelos espaços frescos para bater sestas subiu de nível (e de pêlo...muito pêlo pela casa). Até tu, meu amor, já representas toda uma nova presença nesta casa, perseguindo as duas caudas incautas que dormem pelos cantos e que foge…

Sobre o impacto da 1ª Conferência da Deusa em Portugal

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As Brumas de Avalon foram o portal para o Paganismo para muita gente. Mais, arrisco, toda uma geração. Sejam os livros ou os filmes (não vou discutir preferência até porque exaltaram públicos diferentes). Isto significa que, para a maioria destas pessoas, conhecer o Paganismo se deu em simultâneo aquando conheceram a Deusa, ou seja, quando perceberam um sagrado feminino pertencente ao universo religioso com legitimidade na Europa. Sim, a Europa não começa na Roma Cristianizada, nem a sua cultura nem a sua profundidade espiritual e religiosa. Compreender o lugar de um sagrado feminino no ocidente tem consequências. Aponto duas: polarização da manifestação divina numa dinâmica que se complementa em vez de se antagonizar (Deusa e Deus, noite e dia, luz e escuridão, etc.); a legitimidade em reconhecer uma manifestação no padrão feminino que pode celebrar o que o faz distinto do masculino (em vez de o esgotar em ideais de virgem, mãe sofredora e viúva num organismo que se dirige exclusiva…

Sobre o Sagrado Feminino

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Esta Primavera tem sido alucinante e entre projectos e ideias, pisquei os olhos e já se passou um mês. UM MÊS!
O Beltane foi celebrado em casa, dançando pelos quartos e corredores (playlist abaixo), e com flores frescas no altar.
Entretanto, Akelarre! Já ouviram falar? Já nos ouviram falar? É um podcast novíssimo com três locutores portugueses e pagãos que debate temas atuais dentro do Paganismo. Se não ouviram, espreitem o primeiro episódio aqui.
Entretanto, um ano! Um ano! A cria fez um ano depois do dia da mãe!!! Porque o meu dia da mãe de 2018 foi celebrado em altas....dores de parto.
Já este dia da mãe foi passado entre iniciativas de diálogo interreligioso (vide aqui), o hospital para ver a matriarca (é mais rija do que admite) e a cria com o papá.
Uma palavra rápida sobre o dia da mãe. Durante algum tempo a minha celebração deste dia focou-se na Deusa Mãe, e hoje, já que o significado insuflou na minha vida, este dia representa memórias e honras a quem me permitiu nascer, cres…