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Sobre o impacto da 1ª Conferência da Deusa em Portugal

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As Brumas de Avalon foram o portal para o Paganismo para muita gente. Mais, arrisco, toda uma geração. Sejam os livros ou os filmes (não vou discutir preferência até porque exaltaram públicos diferentes). Isto significa que, para a maioria destas pessoas, conhecer o Paganismo se deu em simultâneo aquando conheceram a Deusa, ou seja, quando perceberam um sagrado feminino pertencente ao universo religioso com legitimidade na Europa. Sim, a Europa não começa na Roma Cristianizada, nem a sua cultura nem a sua profundidade espiritual e religiosa. Compreender o lugar de um sagrado feminino no ocidente tem consequências. Aponto duas: polarização da manifestação divina numa dinâmica que se complementa em vez de se antagonizar (Deusa e Deus, noite e dia, luz e escuridão, etc.); a legitimidade em reconhecer uma manifestação no padrão feminino que pode celebrar o que o faz distinto do masculino (em vez de o esgotar em ideais de virgem, mãe sofredora e viúva num organismo que se dirige exclusiva…

Sobre o Sagrado Feminino

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Esta Primavera tem sido alucinante e entre projectos e ideias, pisquei os olhos e já se passou um mês. UM MÊS!
O Beltane foi celebrado em casa, dançando pelos quartos e corredores (playlist abaixo), e com flores frescas no altar.
Entretanto, Akelarre! Já ouviram falar? Já nos ouviram falar? É um podcast novíssimo com três locutores portugueses e pagãos que debate temas atuais dentro do Paganismo. Se não ouviram, espreitem o primeiro episódio aqui.
Entretanto, um ano! Um ano! A cria fez um ano depois do dia da mãe!!! Porque o meu dia da mãe de 2018 foi celebrado em altas....dores de parto.
Já este dia da mãe foi passado entre iniciativas de diálogo interreligioso (vide aqui), o hospital para ver a matriarca (é mais rija do que admite) e a cria com o papá.
Uma palavra rápida sobre o dia da mãe. Durante algum tempo a minha celebração deste dia focou-se na Deusa Mãe, e hoje, já que o significado insuflou na minha vida, este dia representa memórias e honras a quem me permitiu nascer, cres…

Parenting Tots - Revisão

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Este foi o primeiro livro que encontrei quando me pus a pesquisar a temática e assim de cabeça posso adiantar que o índice se apresenta confuso, bem intencionado mas confuso, na edição e/ou paginação.
Outra confissão vos faço, esperava um livro maior, com mais páginas (são 55 páginas de sucinto assunto escrito em inglês).
Relativamente ao conteúdo, a autora passa por todos os tópicos, ainda que nos forneça orientações pouco elaboradas. A experiência desta mãe pagã é de facto extraordinária e inspiradora (o seu livro anterior de seu nome "Pagan Parenting in the NICU" leva-nos para a experiência em primeira mão de vivências com crianças que partilharam casa com uma unidade de terapia intensiva neo-natal).
Este é um livro sóbrio que nos dá uma boa ideia do espectro de elementos possíveis de vivências pagãs com crianças. Reforço que as particularidades biográficas da autora geram bons pontos de reflexão para a construção de uma visão de parentalidade pagã.
Li muito e rápido...e…

O que as Mães leêm

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Nova rubrica aqui na casa! A ideia é fazer review a livros de parentalidade pagã e outros de orientação pedagógica dentro do Paganismo.
Graças à mãe espírita e ao marido ateu, esta mãe pagã tem na sua biblioteca alguns exemplares que se focam no nosso tema central (todos em inglês). Não conheço muita gente que tenha lido livros sobre parentalidade pagã, por isso, tenho para mim que estas reviews que vão dar umas leituras e partilhas muito interessantes.

Ora vejamos o que temos no menu:

Witchy Mamma - Magickal Traditions, Motherly Insights & Sacred Knowledge, por Melanie Marquis e Emily A. Francis

Circle Round - Raising Children in Goddess Traditions, por Starhawk, Diane Baker e Anne Hill

Celebrating the Great Mother, por Cait Johnson e Maura D. Shaw

Parenting Pagan Tots, por Janet Callahan

Witch in the Kitchen, por Cait Johnson



...me aguardem ;)

Altares em casa: histórias e desafios.

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Primeira crónica da Primavera (entretanto com celebração de Equinócio, Akitu Sumério e 10 meses de coração e fraldas cheios), e quero agradecer à Filipa Urbano Chaveiro (administradora do Coven do Sol e da Lua) que lançou a reflexão desta temática inevitável em casa de qualquer bruxa: cadê o meu altar?
Muitos e muitas de nós descobrem o Paganismo e a Bruxaria algures na adolescência ou na transição para o posto de adulto. Nestas circunstâncias, a norma é, nessa fase de vida, termos um espaço nosso, com relativa privacidade, onde nos apressamos a experimentar círculos, rituais e magia. Ou seja, para muitos de nós, a prática começa no nosso quarto, no primeiro universo pessoal que controlamos.
Uma das necessidades mais naturais de se explorar quando entramos neste caminho é o de erigir um altar nosso, pela nossa mão e vontade.  Varremos, entretanto, imagens na internet e nos livros (hábito que nos vai acompanhar no futuro) com altares, decorações e disposições de rito.
Lemos sobre o as…

Mãe Pagã e Pai Ateu...e agora?

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Viver numa casa com diversidade de crenças é muitíssimo enriquecedor. Mas também é um compromisso eterno de empatia, respeito, humor, carinho, teimosia e paciência. Eterno.  Dito isto, não trocaria a minha casa por nenhuma outra. Nenhuma. Com todas as correrias, discussões, subidas de escadas, limpeza por fazer, livros por arrumar, beijos apaixonados, beijinhos repenicados, canções (mal) cantadas, e baterias infernais a torturarem a nossa vizinhança. Não a troco por nadinha. E sabem porquê? Porque sei que as diferenças (que as há!!! tantas!) residem nas crenças, não nos valores. A minha casa funciona da seguinte forma: temas de interesse comuns são discutidos, debatidos, satirizados, desconstruídos, algures no meio os gatos fazem qualquer coisa que nos obriga a interromper e a correr com duas patas atrás de quatro, voltamos ao tema, alguém pergunta o que vamos jantar, faz-se uma piada sobre o assunto e acabamos a trocar a fralda à menina. Em relação aos temas do foro religioso, pagão…

Carnaval no Paganismo em Portugal

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Bom, vamos lá falar disto. O Carnaval em Portugal e o Paganismo. Começo por alvitrar os leitores de que este é o primeiro ano em que vivo num local onde esta festa é levada a sério (nota-se o entusiasmo?!), por isso, espero retirar uma série de dados informativos durante esta época relativamente às vivências tradicionais de quem se prepara o ano TODO para estes três dias de farra. Do ponto de vista histórico, o Carnaval remonta às antigas celebrações que visavam a expulsão e o exorcismo do Inverno, através de uma fórmula que dissolvia as regras sociais normais e que se centrava na prática faustosa de excessos e prevaricações. O quadro acima ilustra alguns destes (esta obra do século XVI põe frente a frente os foliões do Carnaval e os beatos da Quaresma, que vou já mencionar). Em Portugal, o catolicismo marca esta celebração na terça feira mais perto da lua nova que antecede o período litúrgico da Quaresma, daí ser um feriado móvel. Repararam na parte da lua nova? Apropriado, não é? N…