Menu
Mostrar mensagens com a etiqueta Rodar em Família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rodar em Família. Mostrar todas as mensagens


Lentamente vou reconhecendo a força que me empurra para a Primavera. 

Este Inverno levou-me ao frio que congela e cristalizou-me nas memórias de amor e conforto de quem já não conhecerá o virar desta estação. 

Mas esta força que rebenta com e pela vida é maravilhosamente implacável, e a esperança seduz iluminada pelo sol, e pelo riso de quem vira com alegria e entusiasmo a primavera da sua vida. 

Entre a memória do inverno e o convite da primavera, sinto as mãos nos ombros de quem permanecerá atrás de mim para sempre e as mãozinhas que me puxam para ver as flores e que nunca largarei. 

Aurora que me carrega até aos dias bons do sol e do riso. 

Venha a Primavera.
0


A cria obriga o presente a manter se presente. E também exige criatividade. Depois das decorações do Solstício e de toda a experiência das festas, pergunta ela "e a seguir dos Reis?" respondo eu "sãos as Candelárias!!". E agora? Como fazer o período da conquista da luz ser recebido com entusiasmo e como conseguir retirar a decoração das festas passadas sem remorsos?.... Esta pergunta legítima está a fazer me considerar toda uma nova apropriação à Roda do Ano. Estou seriamente a considerar manter a estrutura da árvore e substituir os enfeites do solstício por outros que reflitam o momento da roda. 

Por causa deste desafio estou a fazer um levantamento de símbolos adequados às Candelárias que eu possa incorporar na minha árvem: espirais, cristais, cruzes de Brigit, bonecas de ervas, luas tríplices, vassouras, penas de corvos (resiliência), ou pássaros como o abibe e o picanço real (invernantes), raminhos de árvores de folha perene, pinhas, sinos/badalos, etc.... Se tiverem sugestões, por favor, chutem por que são bem vindas!

E desta vez, vou ter mesmo de fazer arroz doce (que te amo, minha avó) pelos meus anos. Porque a Roda insiste em rodar, e nós com ela ao ritmo de tudo o que compõe este universo.

1




 O Solstício aproxima-se e o padrão dá nos força para continuarmos à procura da luz.

A cria já percebeu que esta época lhe traz benefícios variados que vão desde a decoração de todas as árvores de natal da família (bolinhas brilhantes e fitas espampanantes?! como assim?! Tudo DELA!), panquecas ao lanche, músicas de natal ("os caricas" a conta gotas porque preferimos vozes de veludo como Sinatra e o Nat King Cole), e uma expectativa palpável quando uma palavra particular é sussurrada numa conversa perto destes pequeninos ouvidos: presentes. É inevitável a loucura. Sim, vou lhe falando do solstício, da festa do inverno, do sol pequenino que vai nascer em breve, do ano velho que usa como nome de código "pai natal" e que traz um saco com coisas boas, mas sei perfeitamente que esta ágil mente de 2 anos tem o seu foco bem afinado. Para além desta loucura no meio de luzes coloridas, renas, elfos, barbudos com chapéu vermelho, e ESTRELAS (de longe as favoritas), as noites apressam-se e demoram-se e as nossas manhãs de fins de semana estendem-se também porque saltar do quentinho quando faz frio não desperta pressa.

Este ano, as atividades de solstício vão envolver histórias tanto do sol como da nossa família (directa e adquirida de coração cheio) que mudou de plano e que nos ensinou o seu valor, o mesmo que nos cabe passar a quem seguirá à nossa frente. Este ano, abraçamos a luz com noção que somos nós que carregamos a tocha do exemplo daqui para a frente porque a presença se fez memória e a luz nunca será menor do que a que nos iluminou sempre.

E vamos ter arroz doce na mesa. E vamos ter sonhos e azevias. E vamos ter brindes de coração na garganta. E vamos acordar em nós o fogo que só quando invocamos os laços que nos unem nos incendeia e mostra o caminho que estamos a fazer.

E porque esta é uma altura de festejos com muita doçaria típica portuguesa (seja ela louvada em nome de todos os Deuses!), é bom equilibrarmos a coisa com alternativas mais leves. Deixo aqui a minha receita de panquecas sem glúten (se a quiserem mesmo vegan, troquem o ovo por semente de linhaça triturada):

1 ovo (ou 1 colher e sopa de linhaça por cada 2 e 1/2 de água)

Amido de Milho (farinha maizena)

Cacau amargo em pó

Pepitas de cacau cru

Flocos de aveia (opcional mas que, ainda que tenham glúten, dão um crocante interessante à panqueca)

Açúcar de côco

Bebida vegetal à escolha

Óleo de côco

Instruções: misturar os ingredientes (excepto o óleo)  com feeling batendo bem para que não fique com grumos. Aquecer uma frigideira besuntada levemente com o óleo e dispor da massa como e quiser (uma panqueca grande? várias pequeninas? o céu é o limite...por falar em céu, deixem uma janela aberta na cozinha durante a confecção).

Aproveitem enquanto quentes!

Boas Festas a Todos e a Todas!


Referências:

A tradição italiana da Bruxa Befana na Árvore

0



A Noite dos Ancestrais criou expectativas cá em casa e o "Halloween" já significa atividade diferente: castelos, morcegos, fantasmas, esqueletos, monstros, caldeirões e (sobretudo!) abóboras com caras!

A cria já percebeu que esta cena do "Halloween" dá para tirar as pinturas da caixa, (re)talhar laranjas, e brincar com bruxas de meias às riscas e chapéus bicudos.
As refeições temáticas dão-lhe o sabor extra e monstros de maçã com olhos de mirtilo estão a tornar-se "A" sobremesa.
Esta altura do ano é sempre uma altura de segurar portas e mantê-las abertas o suficiente para que o trabalho possa ser feito com todos. Custa e esgota as reservas de energia até ao tutano. Mas somos porteiros porque estamos vivos. Nós podemos acolher e receber, pôr mais um lugar à mesa, ensinar os nomes de quem partiu e contar as suas histórias a quem nasceu depois. Nós somos quem assiste à memória que mantém a porta aberta para que quem partiu se sinta sempre bem vindo.
Neste Dia de Finados, em que no nosso território se faz a visita às pedras onde os (n)ossos repousam, o tempo pausa, e o passado faz-se presente.
Hoje, do meu coração para o eco dos corações que já não batem, eu faço da recordação o chão e a raiz que sustenta a casa da minha família.
Hoje, aproveito a viragem desta Roda para limpar no fogo o que não cabe no meu futuro, e incendeio o que quero que preencha esse espaço nesta Roda que recomeça. Porque todo o fim é um princípio.
E entre cogumelos caveira, e sepulturas de chocolate, brindamos alto e brindamos muito, às linhagens, aos heróis, aos modelos de amor, aos amados e amadas, às cicatrizes partilhadas...ao encontro depois da despedida.
E depois de cansarmos o corpo na festa da noite, a alma pousa e contempla o tempo imparável. O Outono corre para o Inverno. O sol nasce e  desce mais cedo. A luz da vela dança no altar iluminando os sorrisos nas fotografias que quem nos ensinou a sorrir. E tudo corre.
Aos Finados, aos Nascidos e aos Porteiros: Bem Vindos, hoje e sempre.
0


Halloween e um andarilho de criança. É ela. Ela é que andarilha. Por todo o lado da casa! Desafios quotidianos: objectos de risco ao alcance das mãozinhas, caudas incautas de gatos distraídos puxadas sem dó, prateleiras rasteirinhas com objectos que se desfazem em cacos (descacam, portanto) quando em contacto abrupto com o chão, tecidos pendentes de superfícies várias que convidam ao puxão e ribombantes consequências gravitacionais...que se poderão descacar. Desafios acrescidos nesta altura da Roda do Ano: Halloween + enfeites + decor temático + andarilha =...muita reflexão e pesquisa interior relativamente ao sentido da nossa vida no geral e do universo no particular. Vou ser honesta, sou francamente fanzoca do universo halloweenesco. Para lá de fanzoca. Bruxas andrajosas, caldeirões borbulhantes, esqueletos dançantes, caveiras cavernosas, ossinhos e ossadas, aranhas trôpegas várias, morcegos orelhudos, chapéus bicudos, olhos suspeitos, dedos soltos, vampiros dentados, abóboras sinistras, lobisomens pouco tosquiados, múmias mal enroladas, zombies emos, fantasmas por passar a ferro, lápides com piadolas, luas cheias nubladas e  teias de aranha por toda a casa!!! Toda!! Faço questão de passar o resto do ano até Setembro seguinte a apanhar teia perdida por todos os cantos e recantos. Mas o problema mantém-se: cria que anda e destramente apanha coisas. Por cima desta condição, tenho as circunstâncias da vida que me levaram a adquirir e coleccionar inúmeros (inúmeros!) adereços de decor pequenos e potencialmente perigosos (desde que saí da terrinha, vivi sempre em apartamentos com espaço limitado), a saber: esqueletos miniatura, aranhas e aranhinhas, abóboras e abóborinhas, olhos em formato de bola ping pong, dedos unharentos, velas e velinhas...enfim, tudo material pequeno o suficiente para ser arrebanhado e levado àquela santa boquinha ou perigoso para deixar mazelas. Estou de momento a reavaliar a situação e ponderar alternativas ajustadas a estas circunstâncias. Uma palavra tem gritado segurança: Paredes. Se cingir o decor às paredes, pode ser que o decor se safe. E estou seriamente a considerar uma ode ao Halloween aéreo este ano: morcegos, fantasmas, corvos e corujas agoirentos, bruxas em vassouras voadoras, a bela da lua cheia... Enfim, a criatividade como ferramenta de ajuste seguro e confortável. E perguntam vocês, "Mas mãe pagã, e moderares o decor este ano no Hallow..." NUNCA!! 
Hei-de varrer todo o prego desprevenido pelas paredes cá de casa, cada topo de móvel, cada candeeiro ou varão de cortinados.
Quando tiver mais resultados desta aventura, partilharei fotos. Até lá, despedidas fantasmagóricas à prova de crianças.

Notas: vou deixar links de alguns templates de Halloween ou ideias de decor criativas e amigas das crianças no "Mais sobre" desta crónica. Porque nós, mães e pais, merecemos.


Mais sobre...

Templates Halloween:






Pinterest Halloween:





0


Carta deste Solstício de Verão à minha Filha:

Meu amor bom, este Solstício foi passado a correr. Ainda mais tendo sido dia de vacinas para ti. Mas, ainda que tenham sido picadas meio à traição, os beijinhos, colo e mama sempre consolaram esse beicinho.
O Sol chegou ao seu apogeu e tu, ao teu ritmo maravilhoso, tornas-te cada dia mais tua, mais menina, mais senhora do teu nariz. Nesta estação, eu e o Papá queremos dar-te a experiência da praia, da areia e do mar, do cheiro da sardinha, do vento na serra e no moinho, do bailarico, do pão e dos pés (teus) em todo o lado! Agora que o poder do sol reina, a natureza caminha para as colheitas e nós tencionamos colher da nossa família cada polaroid e palhaçada disponível. A gataria já está em modo veraneio e a busca pelos espaços frescos para bater sestas subiu de nível (e de pêlo...muito pêlo pela casa). Até tu, meu amor, já representas toda uma nova presença nesta casa, perseguindo as duas caudas incautas que dormem pelos cantos e que fogem ao primeiro (e inesperado) puxão dessas mãozinhas. Espera-te também, fruta nova no menu. O Papá vai dar-te morangos no terraço dos bisavós e a Mamã vai apanhar figos contigo. Vais ouvir muitas histórias ( para além do "Onde está o Bolinha?") e roer tudo o que conseguires. ELO e Beatles, Joni Mitchel e Joan Baez estarão entre muitos outros na tua banda sonora. Vais ver flores, cheirar lavanda e alecrim, apanhar pétalas de rosa e tentar comê-las. Vais ver o primo, os primos, as primas, a tia, o tio, os avós, e dormir sestas sempre que possível (!!!). Este verão é nosso para viver e acrescentar no livro das nossas vidas contigo. Sob a bênção de Utu, de Lugh, da luz que nos céus reina e a terra coroa, somos nós abençoados com os teu olhos brilhantes e o teu sorriso de aurora.

Feliz Verão para ti e para nós meu amor*

0


Mãos na massa. Darmos contexto às nossas crias é importante e criar e manter uma relação interessada e inclusiva com as realidades não pagãs é essencial (vide sobre esta temática aqui).
Mas, da nossa parte, que práticas? O que se pode ensinar às crianças e jovens? O que partilhar com as novas gerações? Não será doutrina ensinar às crianças demasiado cedo, antes de poderem escolher por elas?
Cá vai uma possível resposta. Sim. Devemos incluir as crianças nas nossas actividades em família ou em grupo e desenvolver actividades só, com e para elas. A natureza odeia vácuo. Onde não houver informação de referência, ou vivência, mais tarde ou mais cedo será preenchido por outras informações ou vivências. Como foram os nossos valores que nos levaram até ao Paganismo, podemos confiar que as crianças retirem do Paganismo valores e lições importantes para a vida. Essa bagagem existe e está-nos acessível. Então porque é que sentimos constrangimento quando pensamos em "catequese pagã"? Porque a maioria de nós encontrou o Paganismo enquanto adulto, e com uma personalidade já estruturada (daí que tantos de nós digam que "se descobriram no Paganismo" em vez de "se tornarem Pagãos"), e sendo essa a norma, a cultura de actividades pagãs está naturalmente mais virada para uma população adulta. Outro factor é o da ideia de liberdade, tão querida a tantos no Paganismo, que nesta cultura secular constringe-nos a acreditar que religião é para adultos que a escolham e se responsabilizem por ela, e que a diferenciem do universo não religioso. Se é verdade que a responsabilidade de se reconhecer a realidade religiosa e a realidade não religiosa tem de ser transmitida às novas gerações, também é verdade que o formato religioso, bem medido (que é como se quer), serve de veículo para os valores tais como: liberdade de pensamento, liberdade de crença expressão, respeito, compaixão, inclusão, diversidade, amizade, responsabilidade, entre outros. Sim. Estes valores podem ser transmitidos numa abordagem pagã. Mas a abordagem vale enquanto caminho para o destino que é uma consciência de si e do outro.
E assim, ensinarmos o valor da partilha através de um mito antigo, torna-se um recurso precioso nos momentos em família.
Outro recurso valiosíssimo é o da experiência natural. Explorar e descobrir o mundo da natureza é uma sala de aula extraordinária e de infinitas possibilidades. Apanhar folhas, pedras, galhos e ervas, observar caracóis, árvores, flores, é viver um encanto eterno no acto de mostrar o mundo às crianças. Levá-las ao mar, deixá-las correr e brincar na areia, experimentar o vento na cara e nos cabelos (perseguir chapéus a voar faz parte da magia), e assumir que se vai levar muita coisa para casa na sequência destas frases "olha! é tão bonito!", "fui eu que apanhei!" e o mais directo "toma..".
Explorar o mundo natural é uma escola que nos permite conhecer mistérios como o dos ciclos do sol, da lua, das mudanças sazonais, do nascimento, crescimento, morte e renascimento. E cada um destas lições, convida-nos a partilhar a noção de continuidade, de macro, meso e micro cosmos, de ordem e leis universais. Estas experiências e reflexões vão fazer com que Rodemos em Família.
A Roda vai dar mote para a partilha de mitos e os mitos convidam ao reconhecimento de valores e princípios. O natural e o social encaixam em equipa e as famílias pagãs ganham com esta complementaridade.
A Roda em Família leva-nos a criar uma tradição familiar que se baseará nas actividades, histórias e memórias construídas à volta da família com as crianças no centro. Os passeios com os pais, as conchas apanhadas na praia, o alecrim a alfazema atrás da porta, a lenda da lua e do sol, cada um destes elementos fará parte da história da família. O próprio desenvolvimento das crianças em jovens pode ser acompanhado pelo espólio de narrativas mitológicas presentes em todos os cantos do mundo que variam em tema e complexidade. Para cada valor, regra de conduta e princípio social, há (no mínimo) uma lenda pagã apropriada.
Para cada dúvida, anseio, e temor gerados num micro cosmos pessoal, há (no mínimo) um exemplo que vive e existe no macro cosmos universal que nos pode responder e guiar.
Alguém disse "se tens uma dúvida, pergunta a uma árvore", e com o tempo tenho vindo a reconhecer o quão legítima é esta ideia.
Rodar em Família, para mim, é garantir que estamos todos ligados ao ritmo da Criação. É celebrar com a minha filha a vida que ela tem e da qual fui criadora. É observar com ela as mudanças em mim, nela, e à nossa volta. É aprender com ela os padrões da natureza, o esquema das coisas, o balanço entre ordem e caos. É saber que os lego's têm que ser arrumados senão os pais vão descobrir onde eles ficaram com os pés. É dar graças à comida feita com carinho e vê-a a ser comida com apetite (e pão...o que ela gosta de pão). É dançar com ela e ver o sol à janela. É cantar-lhe sobre elementos, a lua, a mãe e o pai. É ensinar-lhe que somos desta terra e estamos ligados nos três planos: à nossa família presente, aos nossos ancestrais no passado, e ao que seremos juntos no futuro
De actividades de colo, vamos passar  actividades de pé, a correr e a saltar. E nessa altura, o encanto da natureza vai manter-se para o explorarmos com curiosidade e alegria e cada vez mais autonomia. Assim vamos Rodar com e na Família, numa dança continua de amor e aprendizagem.


Mais sobre

Partilhar o caminho espiritual com crianças:
https://www.patheos.com/blogs/paganfamilies/2015/07/sharing-our-spiritual-path-with-our-children-part-1-of-4/

Cântico em português:
https://www.youtube.com/watch?v=_yA8NgQV50w

Mitos e lendas:
http://mitologiaparacriancas.blogspot.com/

http://www.sigghil.com/index.html?fbclid=IwAR1df3ucW0oDyyykRjznByvdl-nWkl0s2g2owHqKPFs552Y75SZ3W1RJdL0

http://www.templodeavalon.com/modules/mastop_publish/?tac=Os_Contos_Celtas

https://mitologiahhm.weebly.com/mitos-noacuterdicos.html

0